Na ultima reportagem falamos sobre o funcionamento básico dos sistemas turbo, agora vamos ver os diferentes tipos e algumas tecnologias que surgiram nos últimos anos. Essas diferenças são essenciais para o objetivo de cada projeto, rua ou pista.

Em relação ao seu funcionamento existem basicamente dois tipos de turbina: Mono-fluxo e Pulsativa. A diferença física entre esses dois sistemas está no caracol quente e no coletor de escape do motor. No caso da turbina mono-fluxo, os gases de todos os cilindros são direcionados a um único duto como na imagem abaixo.

Esse sistema rende melhor em alta pois o fluxo dos 4 cilindros estará concentrado em um único duto, potencializando a velocidade dos gases. Em projetos de rua é melhor indicado com turbinas médias pois essas enchem mais rápido, o que facilita o rendimento também em baixa já que o coletor mono-fluxo tira um pouco da força do motor em baixas rotações. Já pra pista, onde apenas as altas rotações são necessárias, pode-se desfrutar de turbinas grandes, apesar do Lag ser grande o sistema rende muito depois que a turbina encher.

No sistema pulsativo há uma diferença no fluxo de gases entre os cilindros gêmeos, pra quem não sabe os pistões dos motores funcionam em pares (enquanto 2 estão descendo os outros 2 estão subindo). O que a turbina pulsativa faz é aproveitar essa subida e descida para começar a girar mais rápido e mais cedo. Com a divisão do fluxo dos cilindros a turbina começa a receber a força das explosões de maneira duplicada e alternada, dessa forma ela consegue girar com mais facilidade desde as rotações mais baixas, reduzindo consideravelmente o Lag (aquele atraso causado pela inércia da turbina).

Esse sistema é ótimo para a rua pois como a turbina enche desde cedo o carro se torna bem mais ágil. Muito bom também para pistas de circuito devido as variações de rotação exigidas do motor. Porém não rende tanto em alta como a mono-fluxo exatamente devido a divisão do fluxo dos cilindros que divide a força em altas rotações, sendo assim, não muito recomendada para as categorias mais extremas de arrancada.

Nesses dois tipos de sistema podemos encontrar algumas variações no funcionamento. Por exemplo, muitos já devem ter ouvido falar das turbinas roletadas, elas não chegam a ser um tipo diferente de turbina, a mudança está nos apoios daquela haste que liga as hélices do caracol quente e do frio. Nas turbinas comuns a haste fica apoiada simplesmente em mancais, dessa forma há atrito no seu funcionamento, o que gera calor e resistência ao giro. Nas turbinas roletadas existem rolamentos onde essa haste se apóia, com isso ela gira mais rápido e mais cedo que as comuns tendo um desempenho superior. Porém são bem mais caras e exigem uma manutenção bem mais atenciosa.

Existe também as turbinas de geometria variável. É um sistema bem mais complexo geralmente usado por fabricantes de carros de rua onde existem algumas aletas localizadas no caracol quente. Essas aletas restringem ou aumentam o fluxo de gases de escape que passam pela turbina. Em rotações mais baixas as aletas diminuem (fecham) o espaço por onde esses gases passam, forçando-os a passarem mais rápido, assim como uma mangueira de jardim que esguicha água mais longe quando apertamos a ponta. Logo a turbina começa a girar bem mais rápido mesmo em rotações baixas, a medida que as rotações aumentam e o fluxo sobe essas aletas se abrem permitindo que o próprio fluxo de gases faça a turbina girar bem rápido.

Parte 3: http://www.200milhas.com/turbo-valvulas-e-intercooler/