Uma das maneiras de puxar um bom papo nos encontros de posto é falar do quanto os carros de hoje são caros. Comentários como “puxa vida cara, pagar 40mil reais em um carro 1.0 é absurdo” ou então “Como pode um perua custar mais de R$80mil?”. Olhando esses números isolados realmente temos a impressão de que os carros estão mais caros do que nunca. Mas será mesmo? A realidade pode ser um pouco diferente. Existem duas maneiras de se analisar o valor de qualquer coisa vendida antigamente. A primeira é atualizando o seu valor pelo índice de inflação, a inflação nada mais é do quanto vale o seu dinheiro (o quanto você pode comprar); a segunda é comparando o preço com o salário ganho na época.

Nós do 200Milhas vamos poupar o seu trabalho e mostrar pra você, na prática, quanto custavam os carros de antigamente se fossem 0km hoje. Atualizamos os valores de acordo com os índices informados pelo Banco Central e através de registros do Correio Braziliense.

Fusca 1960: O carro de passeio mais barato do Brasil na época era o carro do povo que custava 540 mil cruzeiros. Nos dias de hoje ele não seria tão popular assim pois era o equivalente a R$94.950;

Simca Chambord: Foi o primeiro automóvel de luxo do país e era o mais caro carro do início da década de 60 custando quase 1,100 milhão de cruzeiros, o que hoje dá R$234.250,40;

Puma GT “Malzoni”: lançado em 1967 o fora de série, ainda com mecânica DKW, saia por 1,35 milhão de cruzeiros. Com uma redução na inflação esse valor seria o mesmo que R$161.395 em 2017;

Ford Galaxie LTD: foi o carro mais caro do início da década de 70, equipado com ar-condicionado e câmbio automático era tabelado a 45.568 cruzeiros novos. 292 salários mínimos da época que hoje dariam R$273.604;

Chevrolet Opala SS-6: um dos ícones entre os esportivos brasileiros, o projeto derivado do Opel Rekord e anabolizado pelo motor americano GM 250-S valia o equivalente a R$144.500;

Ford Maverick GT V8: concorrente direto do opala a Ford cobrava bem mais pelo seu V8 Canadense. O Maveco esportivo não saia por menos que 67.900 cruzeiros que dão exatos R$153.396,62

VW Passat TS: no final da década de 70 a Volks lançou o seu esportivo mas polêmico, abandonando a configuração de motor a ar e admitindo que a refrigeração a água era melhor o Passat TS era oferecido com motor 1.8 de 4 cilindros custando 62.300 cruzeiros (R$100Mil aproximadamente em 2017);

Puma GTB S2: o carro mais caro em 1980 foi o esportivo da Puma. Avaliado em 600.981 cruzeiros (quase 215 salários mínimos da época) se fosse hoje você teria que desembolsar R$201.200 pela mecânica 6 cilindros Chevy do consagrado Puma;

Ford Escort XR3: chegou em 1984 com o mesmo desenho do europeu, assim como a sua modernidade e cobrava 15,3 milhões de cruzeiros (R$99.647,07) e rivalizava com o VW Gol GT que tinha um motor melhor, porém era mais antiquado e custava 13,2 milhões de cruzeiros (R$86.74031).  No ano seguinte chegou o XR3 conversível, esse sim alavancado pela inflação, cobrava 72 milhões de cruzeiros (R$175mil);

Chevrolet Monza S/R: esportivo produzido de 1986 até 1988 com motor 2.0 (tiveram tbm 1.6 e 1.8) e carroceria Hatchback custava 473.400 cruzados (R$130.000) e rivalizava com Gol GTS – 523.200 cruzados (R$142mil) e Passat Pointer – (R$109.900) já em seu fim de carreira;

Volkswagen Gol GTi: em meados de 1993 a inflação estava no topo (2700%) e por isso a moeda não valia muita coisa. O Esportivo da Volks cobrava 307,3 milhões de cruzeiros (R$114.713,14) pelo seu motor 2.0 injetado e disputava diretamente com o Chevrolet Kadett GSi – 370,5 milhões (R$139mil) e Ford Escort XR3 2.0 – 374 milhões (R$139.400);

Fiat Tempra Turbo: com a chegada do Real em 1994 e a estabilização da economia o que se viu a princípio foi a disputa entre os turbinados da Fiat: Tempra Turbo – R$33.270 (R$170.000) Uno Turbo – R$22.500 (R$116.000) e os Multiválvulas da Chevrolet: Corsa GSi – R$21.500 (R$111mil) Vectra GSi – R$39.000 (R$207.000). A Volkswagen havia ficado pra trás em desempenho vendendo apenas o Golf GTI – R$31.450 em 1995 o que curiosamente equivale ao mesmo que um GTI MK7 atual, R$131.032,71.

Chevrolet Omega Suprema CD: O absoluto em sua versão “perua” era o nacional mais caro e desejado em sua época. Motor alemão 3.0 e acabamento de importado levavam seu preço a R$48.076 (R$340.000), já com todos os opcionais saia a R$54.000 (R$390.000). Não é a toa que seja tão difícil ver uma dessas na rua;

Fiat Marea Turbo: nos anos 2000 a Fiat continuou com a tecnologia turbo e trouxe o emblemático motor Fivetech, 5 cilindros e 182cv pra disputar com o também inovador Volkswagen Golf GTi que dessa vez contava com um motor 1.8 20v turbo também que começou a vida com 150cv que saltaram pra 180cv pouco antes do facelift. Em 2003 a Fiat cobrava R$57.990 (R$120.000) enquanto o Hatch da Volkswagen saia por R$62.200 (R$129.558).

Honda Civic Si: pra finalizar a nossa lista deixamos o que é considerado por muitos o melhor esportivo já vendido no Brasil. Lançado em 2007 (é galera, já se passaram 10 anos) ele vinha com 192cv e custava R$99.000 (R$179.000).

Resumindo, olhando pra toda essa informação podemos ter a certeza de duas coisas. Primeiro e mais óbvio, carro sempre foi um dos itens mais caros no Brasil. Comparado a outros países sempre pagamos mais pelo mesmo. Faz parte tendo em vista que nosso país nunca teve uma boa indústria local. Segundo, por mais esquisito que seja falar isso. Os carros atuais na verdade estão mais baratos do que se possa imaginar, ou você acha que aquele Fusca por mais de 90 mil seria um bom negócio hoje. Por curiosidade deixamos aqui um último exemplo. Hoje o carro mais barato do Brasil é o Fiat Mobi que custa R$33.030,00. Em 2011 (outro dia né? Ou não!) o carro mais barato era o Fiat Mille a R$23.850 que hoje é o equivalente a R$35.288