Nome: Alessandro Rezende

Hobbies: Velocidade


01. Como você entrou no mundo da velocidade?

Desde criança sempre fui apaixonado por automobilismo, principalmente na área de corridas, sempre acompanhei pelo noticiário em geral, e tinha um sonho de um dia participar de alguma forma. Em 1997 estive em Interlagos com amigo Fabio Augusto assistindo uma etapa do campeonato paulista de arrancada, onde neste dia conhecemos este maravilhoso esporte e a partir daí tentei falar para amigos jovens que andavam correndo nas ruas que tinha como praticar um esporte similar, com segurança, regras,  legalizado, chamado Arrancada. Acabei me envolvendo neste esporte depois de uma entrevista que dei para Mirante falando do esporte arrancada, fui mal interpretado por eles terem associado que eu queria legalizar os rachas nas ruas, mais ai demos a volta por cima, depois de muitas confusões para esclarecer, no dia 28/01/2001 fizemos a primeira etapa do campeonato Maranhense de arrancadas no Aeroporto do Paço do Lumiar, dando o pontapé inicial no esporte,  ao contrário que tinham dito, combatemos e acabamos na época com os rachas nas ruas de são Luis.

02. Com que idade e veiculo você começou a “brincar” no mundo Racing?

Com 15 anos comprei um fusquinha, equipei aos poucos, motor 1.6 com duas carburações, pintei de branco perola, bancos recaro, rodas, e não passava uma lata de coca cola deitada por baixo dele de tão baixo.

03. Nós sabemos que antes de ser criada a pista de arrancada Ilha Race, o que predominava em São Luís, assim como em outras cidades, eram os rachas de rua. Então nós do 200milhas, gostaríamos de saber se você teve alguma participação nessa época?

Infelizmente sim, onde perdi muitos colegas em acidentes de trânsitos, jovens imprudentes correndo no dia a dia nas ruas. Nos rachas nunca presenciei acidentes fatais.

04. Houve algum fato importante, ocorrido nessa época que possa dividir conosco?

Com relação aos rachas, de importância para dia de hoje, só que escapei da morte, e não aconselho a ninguém desrespeitar os limites de velocidade das vias urbanas, pois sempre pode ter alguma coisa atravessando pela sua frente, pois você pode evitar um acidente se fizer sua parte.

05. Como foi o primeiro contato com a arrancada, e há quanto tempo atua na mesma?

No ano 2000, participei do campeonato cearense de arrancada com um opala 6cc turbo.

06. Em que categorias competiu?

Na época chamavas se Categoria turbo e  Dragão Livre.

07.Qual prova foi inesquecível, e qual você gostaria de apagar da memória?

A primeira acelerada agente nunca esquece, foi no cearense de arrancada contra um fusca feito na época em São Paulo e era top e seu dono saliente, no pré alinhamento o cara teve a audácia de sair do seu carro e vir ate minha porta para dizer que iria ganhar, minhas pernas já estavam tremendo, eu suando, depois desta, ai que ficou tudo tremendo, não falei nada a ele, apenas concordei, daí quando feio a largada, o fuscão turbo pulou na frente, mais quando engatei a 3° do meu opala passei esse cara e ganhei essa corrida, minha alegria foi tão grande, que dali para frente não importava mais nada. Ao longo destes 12 anos já passei por várias vitórias e várias derrotas, onde todas elas de alguma forma me ensinaram, a saber, ganhar e perder, respeitando sempre meus adversários. Em 2008, eu vivi os dois extremos, em abril,na inauguração da melhor pista de arrancada da America Latina, Pista do velopark(RS), eu fui o 1° a vencer na categoria Força Livre Dianteira, mais alguns meses depois,passei por uns dos momentos mais difíceis,  em 07/09/2008 quando minha suspensão do gol força livre quebrou no final da reta do Veloprk(RS) e eu bati a mais de 250 km/hr no muro lateral, ate o carro pegou parcialmente fogo. Graças a Deus, não tive nada, mais quando você entrega sua vida a Deus, você precisa entender tudo que acontece na sua vida, e a partir deste acidente comecei a dar mais valor em outras coisas, como minha família.

08. Alguma vez você pensou em parar e abandonar tudo? Por quê?

Ultimamente sim, tenho pensado em parar, por que para tudo nesta vida,  para ter um bom resultado, tem que se dedicar de corpo e alma, e eu não estou tendo tempo, daí começa a vir muitos problemas.

09.Vai correr no maranhense de arrancada este ano? Conte-nos um pouco da sua experiência neste campeonato.

Se Deus permitir, irei, nosso campeonato a cada ano, a pesar das grandes dificuldades que os atuais organizadores possuem, onde sempre fecha a etapa com saldo negativo, vêem melhorando os níveis e números dos carros participantes, hoje o Maranhão é reconhecido em todo Brasil, pelos seu campeonato e por seus pilotos que ao longo de vários anos representam bem lá fora.

10. O que a sua família acha disso tudo? Eles apoiaram no começo?

A prática do esporte sempre minha família apoiou, desde já agradeço por minha esposa, meus filhos, meus pais, pela paciência.

11.É verdade que o seu filho já começou a trilhar o caminho do pai? e está se dedicando ao mundo da velocidade?

Desde pequeno ensino para meu filho sobre o que é certo e errado sobre ”mundo racing”, ele já participa do maranhense de Kart há dois anos, começou aos 12 anos, sabe dirigir carro desde dos 9, mais sabe dos seus limites, conversamos sobre rachas de ruas, sobre imprudência no transito, maiores causas de morte de jovens no transito,,,aconselho aos pais que estão lendo essa entrevista a serem abertos com seus filhos e se vocês acharem que ele gosta de correr pelas ruas, incentivem a praticar um esporte para que possa compensar essa adrenalina, é melhor incentivar a praticar um esporte seguro, do que deixar seu filho correndo por ai,, onde muitas das vezes você é o ultimo a saber.

12.Em que esporte ele está se dedicando? Ele também sofre incentivo por parte do tio Flávio Rezende?

Ao kart, o tio dele sempre quando dá aparece para dar uma força.

13.Além de ser piloto de arrancada, você começou a atuar também como piloto de Rally. Você se sente mais atraído pelo rally ou pela arrancada?

Sem dúvida alguma, arrancada, no esporte é minha paixão, o rally veio a dois anos, como tenho vários amigos por lá, sempre procuro prestigiar as corridas.

14. Como você acha que a Arrancada pode atrair mais interesse do público e mídia?

Acredito que no dia que grandes empresas descobrirem a importância da arrancada na sociedade, tanto como acesso para um automobilismo, onde temos varias categorias, onde o investimento dá para todos os bolsos, e ao mesmo tempo, incentiva através de categorias de base a tirar os jovens da rua, o resto será conseqüência.

15.Você tem algum ídolo no automobilismo nacional? e Internacional?

Como ídolo do automobilismo internacional tenho o Ayrton Senna e Rubens Barrichelo, devido a serem vencedores na humildade.

16.O que você acha sobre a história do Sr. Alvaro que mesmo na terceira idade ainda corre na arrancada? Você pretende levar sua carreira tão distante quanto?

Acho interessante o Sr. Alvaro, apesar das suas dificuldades em colocar um carro competitivo na pista, bom não ele, bom é a ex mulher dele que corre ate hoje contra marmanjos em Curitiba, mais essa é a tendência do automobilismo, a arrancada fez 12 anos agora dia 28 de janeiro no Maranhão, e essa geração quando chegar a terceira idade, muitos ainda irão de vez enquanto participar daqui há trinta anos. Meu futuro a Deus pertence.

17.Só para encerrar o nosso papo. Você gostaria de deixar algum recado para os leitores do 200milhas?

Galera, associar velocidade com carro, bebida, drogas, pode interromper sua vida e deixar pessoas que te ama chorando por ai, não custa nada você numa situação extrema pegar uma carona, um taxi, ligue para seu pai e peça para ele te buscar, você pode ate achar graça, mais se você perguntar a ele se é melhor te buscar vivo ou morto, ele por te amar vai engolir, se não tiver jeito, você não pode passar aquela vergonha, pelo menos ande bem devagar, por que se acontecer algum acidente talvez não seja de grandes proporções, fique com Deus, grande abraço.Alessandro Rezende.